Por: Bispo Sentoku Haikawa

Registre para eternidade
o nome da alma que partiu,
para assim poder sufragar
através da Butsuryu-kou.

O Grande Mestre Nissen Shounin escreveu este verso no kakotyou (caderno de antepassados) de um fiel. Nessa época, o Budismo Primordial (Honmon Butsuryu Shu) ainda era chamado Butsuryu Kou. Mas o Grande Mestre Nissen Shounin já ensinava os fiéis a registrar os nomes dos entes queridos e a oferecer orações póstumas a eles.

Isso se deve ao fato de que, após o falecimento, suas almas não podem mais adquirir virtudes pela própria prática da fé.

Este é o motivo pelo qual se oferecem cultos póstumos às almas.

No Budismo Primordial, o culto póstumo é chamado de Goekou. O ideograma ‘Go’ é de polidez, partícula de respeito ao que vem depois. E-kou significa transferência de virtudes.

Ao entoarmos o Sagrado Namumyouhourenguekyou, estamos enviando as virtudes, através da prática da fé, para as almas das pessoas falecidas, para que elas possam se beneficiar.

Ao mesmo tempo, essas virtudes retornam a nós mesmos.

As virtudes que oferecemos podem ser adquiridas através da entoação do Mantra

Sagrado Namumyouhourenguekyou bem como através da prática do Gohouko (atividade religiosa) que efetivarmos durante a vida.

Somente ao nos dedicarmos à prática da fé é que podemos adquirir as virtudes suficientes para que possam ser direcionadas a quem não pode acumulá-las.

Muitas religiões celebram cultos póstumos. Mas o que o Grande Mestre Nissen Shounin nos ensina é que a cerimônia não pode ser apenas um protocolo formal mas sim que deve estar intimamente relacionada com a nossa prática diária da fé.

Ao mesmo tempo em que o Culto Póstumo proporciona o verdadeiro oferecimento das virtudes, ele é a promessa de dedicação à fé, constantemente, nas orações e nas atividades religiosas. Dessa forma, a alma da pessoa falecida poderá receber a semente do Darma e poderá, na próxima vida, ela mesma se dedicar na prática da fé.

O ato de Ekou transformar-se-á em virtudes, nossas e para o próximo, através da pronúncia do Namumyouhourenguekyou, com afinco e devoção, diariamente.

Nós, como seres humanos, fiéis do Budismo Primordial, como amigos de fé, devemos nos lembrar dos entes queridos, das pessoas que passaram pela nossa vida e nos proporcionaram momentos bons e de alegria, momentos de aprendizado, enfim, maravilhosos.

Estaremos, assim, também, fortalecendo o elo Dármico com essas pessoas. E isso só é possível através da fé e do sentimento puro de cada um.