• NAMUMYOUHOURENGUEKYOU é o mantra no qual o Buda Primordial (Kuon no Honbutsu) compactou e embutiu a totalidade das virtudes e de sua ação. Sua pronúncia pode parecer difícil no início, mas, com a prática diária, se torna algo muito natural.

A palavra ‘Mantra’ vem do sânscrito Man (mente) e Tra (controle ou proteção), significando “instrumento para conduzir a mente” – é uma palavra que exerce muito mais uma função do que um significado. E o Mantra NAMUMYOUHOURENGUEKYOU, de acordo com a nossa capacidade, existe para podermos receber o Goriyaku (Bênção, prova concreta e irrefutável) e a iluminação pela prática da fé e da Oração.

 

だいもくを さとる工夫は やめにして
Daimoku o satoru kufuu wa yame ni shite
唱ふる人ぞ 智者の第一
tonouru hito zo tisha no daiiti

“Desista das artimanhas
para entender o Odaimoku.
Aquele que ora, de fato
é o sábio número um.”

V.1730 Pág.:242: Versos do Grande Mestre Nissen Shounin). Livro – Coletânea de Versos do Budismo Primordial.

 

Também aprendemos que de acordo com o químico francês Antoine Lavoisier, neste mundo, “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, o NAMUMYOUHOURENGUEKYOU é eterno; não se cria, não cria, nem recria, não tem começo nem fim. Não está sujeito à mutabilidade e impermanência como tudo que está a nossa volta. Ou seja, possui a característica que nos permite a plena devoção, pois sempre foi e sempre será o Buda Primordial.

Literalmente, pode ser interpretado como: “Ensinamento da Lei Mística Universal figurada no modo de vida e no desabrochar da Flor de Lótus, ao qual devotar-me-ei”. Todavia, devemos sempre lembrar que a melhor resposta para a pergunta “O que é NAMUMYOUHOURENGUEKYOU?” é e sempre será: “Ore, que saberás!”. Aquele que estiver preocupado com seu significado jamais poderá extrair toda a energia contida nesta oração, justamente porque seu significado é muito mais profundo do que podemos imaginar. Assim nossos mestres antecessores nos transmitiram. É a Oração que devemos repetir com humildade, em sinal de devoção e em busca de interação com o mundo sagrado.

O ato de pronunciar o Odaimoku – 御題目- (Namumyouhourenguekyou) é denominado Kushou-gyou (口唱 行 – recitando a oração). Kushou (口唱) significa “recitar o Odaimoku alto e bom som” e Gyou (行) significa “prática.” Quando entoamos o Odaimoku , olhamos para a Imagem Sagrada (Gohonzon-御本尊) , unidade absoluta. Ponto de referência e devoção do devoto, em que a palavra Odaimoku também está escrita.

Na HBS, essa prática do Kushou é primordial. Para podermos sentir o efeito dessa prática, é necessário, antes de tudo, sentir que o NAMUMYOUHOURENGUEKYOU está vivo. Em outras palavras, ao invés de tentarmos entender o budismo usando apenas a intelectualidade, devemos acreditar e nos empenhar na lapidação do nosso espírito, através da prática da Oração Sagrada e do caminho da compaixão.

 

 

O significado do Mantra Sagrado NAMUMYOUHOURENGUEKYOU
(南無妙法蓮華経)

 

Citação do Sutra Lótus
“Seja o que é
por excelência.
Não se macule
às condições.”

Na interpretação literal, dentre as sete sílabas Namu-myou-hou-ren-gue-kyou, as duas sílabas Myou-Hou(妙法) são as mais importantes. Se expressarmos o título [do Sutra Lótus] em sânscrito, será Saddharma-pundarīka-sūtra .

O prefixo Namu(南無)  representa a promessa de plena devoção ao que vem depois, o Myouhourenguekyou, indica devoção ao título e essência do Sutra Lótus.

Myou(妙 – Místico), significa algo que está totalmente distante da nossa capacidade de compreensão e imaginação, o mistério da vida é de inimaginável profundidade por tanto está além do entendimento de nós humanos. É um adjetivo que magnifica o Hou (法 – Darma), ou seja, todo o conteúdo da pregação do Sutra Lótus. O Darma como um todo é adjetivado pelo Myou, que transcende o âmbito de conhecimento humano.

Mas, isso não significa que somos obrigados a praticar sem compreender. Ao contrário, apenas enfatiza o fato de que o compreendemos pela incorporação e prática da oração, não através da intelectual idade.

O significado de Rengue (蓮華) literalmente é “Flor de Lótus”. Como é sabido, a flor de lótus enraíza na lama e desabrocha uma flor tão branca que chega a representar o branco mais puro do mundo.

Kyou (経) ao pé da letra significa Sutra. Enfatizaremos o significado de ‘Namu‘ pois é exatamente onde entra a nossa fé.

Namu é a transição fonética da palavra em sânscrito “Namas” que significa “Ofereço a minha vida” (Kimyou), ou seja, ofereço minha devoção de corpo e alma. É pela fé que oferecemos a pura e mútua relação que existe entre nós e o Darma.

A devoção é muito importante. Mesmo não podendo confiar em ninguém, podemos muito bem crer e oferecer nossa entrega e devoção ao Buda. Caso contrário não teremos sustento algum nesta existência.

Em outras palavras, “Namu” é uma declaração de que não só devotamos, como também, prometemos seguir unicamente o Darma Sagrado NAMUMYOUHOURENGUEKYOU, que nos salva e nos conduz à iluminação.

 

“Tal qual o vento que corre livre no céu, libertai-nos de todos os males e transtornos conduzindo-nos à Terra Pura de Buda”
Prece do Sutra Lótus

 

Na oração do Odaimoku – お題目 – (Namumyouhourenguekyou) encontra-se compactada toda a causa, a essência e semente para o nosso desabrochar humano, mesmo que todas as circunstâncias externas sejam aparentemente adversas. Buda ensina que devemos pensar sempre nessas facetas, conjuntamente, para conhecermos a verdade.

 

 

Como pronunciar corretamente o Odaimoku (Namumyouhourenguekyou)?

 

Qualquer tipo de prática pressupõe certas regras, métodos e disciplinas. Sem elas, qualquer objetivo que tentamos alcançar, será impossível.

Na nossa religião o Kushou (Recitação continua do Odaimoku) é essencial para conseguirmos receber o Goriyaku (bênção). Por isso, não devemos pronunciar o NAMUMYOUHOURENGUEKYOU de qualquer modo. Vejamos abaixo as regras principais para a oração (meditação) correta.

Citaremos o zen como forma de meditação comparativa porque zen é o processo de serenização pela meditação pregada no budismo de modo geral.

Aprendemos que a prática da oração do Odaimoku – 御題目- (NAMUMYOUHOURENGUEKYOU) é chamada de “Kushouzen” ou “Daimokuzen”. Porém, é mais adequada a nós, seres da Era Mappou. Portanto, o método de meditação mais adequado às nossas capacidades e circunstâncias é o que tem a oração, a verbalização focada como prática principal e não a meditação transcendental (apenas mental) como muitos pensam.

Outro detalhe importante é que no Budismo Primordial todo tipo de Oração, para que seja eficaz, deve passar pelas três vias geradoras de carma (三業 – Sangou): Verbal, física e mental, ou seja, através das palavras, ações e pensamentos.

 

 

Três regras para se orar corretamente (Meditação Correta):

 

1ª. Orar em voz alta, via verbal, Kuti  口 (boca);

2ª. Postura Correta, via física, Karada  体 (corpo);

3ª. Compenetradamente, via mental, Kokoro 心  (coração).

 

Devemos nos concentrar o máximo possível durante a oração. Essa concentração consiste em fixar o olhar na Imagem Sagrada (Gohonzon – 御本尊), unidade absoluta, onde está inscrito o NAMUMYOUHOURENGUEKYOU, sem desviar a atenção, e pronunciar o Odaimoku com voz alta e nítida para que outras pessoas possam ouvi-la. Posicionar-se corretamente, quando sentado: Com uma das mãos batemos suavemente com o punho fechado sobre a coxa do mesmo lado do punho que a bate. Quando de pé: Fecha-se um punho e bate-se suavemente dentro da palma da outra mão ou acompanhar batendo as clavas (hyoushiki) se tiver, e até mesmo a sua locomoção até o local da oração, faz parte da postura correta, pois, implica toda ela, na parte física que predispõe a oração. O fato de orar em voz alta, está em primeiro lugar e significa sua superioridade diante das demais regras, pois, é a única capaz de ser colocada em prática por qualquer pessoa, independente da capacidade física ou mental, e por si só, incorpora todas as demais regras.

 

妙法の 五字よりいづる 御利益を
Myouhou no godi yori izuru goriyaku o
信心の手に 頂きにけり
shindin no te ni itadaki ni keri

“Receba pelas mãos
que praticam a fé
as bênçãos emanadas
do Darma Myouhou.”

V.2799 Pág.:392: Versos do Grande Mestre Nissen Shounin). Livro – Coletânea de Versos do Budismo Primordial.

 

No momento em que oramos, num só instante estamos gerando a virtude mais sagrada do Sutra, de ter lido e praticado todo o Sutra, para incorporarmos ao nosso Carma a essência do mais imaculado estado búdico que existe independente das nossas limitações, tanto físicas como mentais.

 

Colaboraram com este artigo: Sacerdote Gyouen Campos e Gilmar Souza Koizumi, com base nas fontes abaixo citadas:
Revistas Lótus / Sites:
http://budismo.com.br/
https://bit.ly/2HPLx4E
https://bit.ly/2Ky40o2