Para onde vão as minhas doações?

As finanças têm um papel fundamental na vida das pessoas, seja para a educação dos filhos, lazer ou para a própria sobrevivência.

A Honmon Butsuryu Shu (Budismo Primordial – HBS do Brasil) é uma religião que tem como objetivo preservar e propagar os ensinamentos primordiais sem deturpações, e tem como único objetivo a expansão do Darma Sagrado. Por esse motivo, não possui qualquer tipo de empreendimento que possa gerar renda paralela.

Para que essa atividade de perpetuação dos ensinamentos se torne possível, tanto os sacerdotes quanto os fiéis realizam doações espontâneas.

Todas as contribuições são destinadas exclusivamente para expansão e manutenção dos Templos, Centros, Núcleos ou Associações. Isso inclui a educação dos sacerdotes e criação dos meios de expansão tais como panfletos, informativos, revistas e livros com conteúdos didáticos.

Ao ofertar uma doação, o fiel ajuda a preservar os ensinamentos, assim como era realizado na época de Buda.

 

Por que doar?

Existem inúmeros ensinamentos budistas que nos conduzem ao aprimoramento espiritual.

Porém, precisamos saber que também existe uma ordem ideal para praticar esses ensinamentos. Da mesma forma que nenhuma criança começa seus estudos aprendendo matérias como Física ou Biologia, nós também temos metodologia de aprendizado e prática.

Para nós que nascemos nesta era chamada Mappou, era de decadência, nos foi deixada a prática da entoação do Odaimoku. Porém, entoar o mantra é uma prática pessoal e não alcança outras pessoas “diretamente”.

Se o objetivo é a preservação e propagação do Darma, também é necessário que se realize a prática impessoal. Para isso, é válido lembrar “Os Seis Paramitas” ou “Seis Práticas do Devoto”, que são: Ofertar, Preservar, Resistir, Esforçar, Orar e Conhecer.

O primeiro item é justamente o Ofertar, que significa oferecer tempo, esforço, devoção e também recursos. Essa prática é a principal demonstração de desapego, pois sabemos que deste mundo nada se leva senão as virtudes que acumulamos nesta vida.

 

Quando e como ofertar?

Desde a época do Buda histórico, as pessoas realizavam suas doações de diversas formas. Aos monges era oferecido sândalo, velas, flores, tecidos e comida. Porém, a sociedade se desenvolveu de modo a impossibilitar a propagação dos ensinamentos nos moldes antigos.

A HBS adota as seguintes contribuições:

– Goyushi (doação espontânea ao templo): pode ser feita em forma de oferenda (flores, velas, etc) ou através da doação de valores, a qualquer momento ou nas campanhas de doação da Primeira Luz do Ano, dos Três Grandes Mestres e de Finados.

– Godikai (doação mensal para manutenção do Templo) – feita na secretaria, é considerada uma das contribuições mais importantes, pois é através dela que o Tempo pode se manter.
É importante ressaltar que essa contribuição deve ser realizada individualmente, e não como representante familiar.

– Ofuse (oferta espontânea ao sacerdote). Os sacerdotes da Honmon Butsuryu Shu dedicam sua vida à expansão do Darma, e a eles não é permitida nenhuma atividade remunerada paralela ao sacerdócio. Daí a importância dessa doação, como meio de sobrevivência.

 

Quanto devo ofertar?

Essa é a pergunta mais comum entre os novos fiéis e até mesmo entre os veteranos.

É importante ressaltar que, no Budismo Primordial, todas as contribuições devem ser feitas de coração. Não se deve pensar “quanto eu devo fazer?” – e sim “quanto eu posso fazer?”.

Nos ensinamentos do Budismo Primordial nós aprendemos o espírito de “sasseteitadakimassu”. Ou seja, oferecer algo de forma pura, sem esperar algo em troca.

Goyushi em japonês significa “possuir sentimento”, ou seja, as doações ao Templo devem ser feitas com gratidão, sem vaidade e sem apego.

Acima de tudo o que gera virtude, de fato, é o espírito de desprendimento.

Viver uma vida escrava do apego nos distancia do verdadeiro significado de praticar a fé religiosa.

Ao termos consciência do sentimento correto ao oferecer as doações, as virtudes florescerão, independente do valor a ser oferecido.

 

O que eu ganho com isso?

Quem dera poder simplesmente dizer que aquele que oferta receberá infinitas virtudes, e ter a compreensão de todos!

De fato, essa é a resposta mais correta. Porém, hoje muitos não se satisfazem com essa resposta.

Concluímos que a melhor forma de compreender o valor disso é somente através da ação. Não há outra forma de explicar ou definir qual é o ganho por isso.

Talvez seja mais fácil inverter a forma de interpretar, e pensar que o esforço em ofertar é o resultado do ganho. Ou seja, “se posso ofertar, indica que estou próspero e esta é a minha singela demonstração da minha gratidão”.

Quando alegria na prática ela se manifesta nos atos. Por isso, dedicar-se à preservação e propagação do Darma Sagrado é uma oportunidade de se tornar um verdadeiro devoto.

 

足る事を 知りてくらせば 楽なもの
不足に思ふ からに貧乏
Taru koto o shirite kurasseba raku na mono
fussoku ni omou kara ni binbou

“Ao viver insatisfeito
se sentirá miserável.
Saber o limite da satisfação
lhe trará tranquilidade.”