Devido à quantidade de tarefas que temos que cumprir, é natural que, de alguma forma, procuremos facilitar nossa vida. A própria tecnologia tem feito isso para nós gradativamente, porém há uma grande diferença entre facilitar a execução das coisas e querer escapar do trabalho ou ¨dar uma de esperto¨, para fazer menos do que deveria fazer.

Quem age de má fé, negligenciando suas atividades de propósito, pode até pensar que estará levando vantagem tendo menos trabalho, mas está atraindo para si um carma negativo muito grande: estará atraindo o autocastigo.

 


 

Conto – O Burro que carregava sal:

Havia um burro que levava uma vida tranquila e despreocupada. Certa vez, seu dono precisou de sua ajuda para trazer sal até a fazenda que possuía e, para isso, era necessário atravessar um pequeno riacho. O fazendeiro colocou os sacos de sal nas costas do burro e iniciou a jornada. No momento de atravessar o riacho, o burro se descuidou e acabou tombando com o sal na água. Todo o sal se dissolveu e eles retornaram sem nada.

Em um outro dia, mais uma vez, o fazendeiro resolveu buscar o sal e, novamente, colocou os sacos de sal nas costas do burro. Porém o burro lembrou-se que da última vez que derrubou o sal e pôde voltar para casa bem mais leve, sem esforço. Então não pensou muito, derrubou o sal na água novamente, o sal se dissolveu e ele ficou aliviado de novo.

Não demorou muito, o fazendeiro mais uma vez precisou do burro, mas desta vez a carga era de esponjas. O burro, já se achando muito esperto, ao atravessar o riacho também quis se aliviar da carga, mas em vez de se dissolver, as esponjas absorveram a água e ficaram muito mais pesadas, a ponto do burro mal conseguir nadar. Certamente o burro se arrependeu de ter dado uma de esperto.

 

 


 

Nós, budistas, acreditamos que a boa ou má consequência depende de nossa virtude e que existe virtude no esforço. Tudo o que é valioso em nossa vida exige muito esforço, justamente porque precisamos também de muita virtude. Querer evitar o esforço, assumindo uma má conduta, é perder toda a virtude que teríamos. Se somos negligentes na ação, certamente seremos sofredores quando vier a consequência, mas somos nós mesmos que causamos esse sofrimento. Isso é autocastigo.

Devemos fazer o nosso melhor sempre. Devemos pensar nos outros e na virtude de cada ação. Pela Lei da Causa e Efeito, nossa dedicação será recompensada, tanto quanto nossa negligência será punida. Não há uma divindade culpada por isso. Se há algum culpado, ele está em nosso coração. Certamente, a planta que regamos com o vigor de nossa vida, cresce em direção ao céu, ao passo que a planta que regamos com nossa preguiça e indolência, sempre cresce em direção ao inferno.

 

 

なすわざは よかれあしかれ むくふべし

火はあたゝかに 水はつめたし

“Tudo que fizer bem ou mal,

por fim retornam para si.

Óbvio como o fogo é quente

enquanto água é fria.”

(Nissen Shounin, verso nº 2057)

 

勤ハつらいものと心得たれバ功あり

“Obterá mérito, se aceitar que a dedicação é algo penoso.”

(Coleção Nissen.Vol 8.p.105)

 

顕はれぬ 程はのがると おもひしに

のがれぬものは 御罰なりけり

“Pensava que podia escapar

enquanto o fato era oculto,

mas do auto castigo

não é possível fugir.”

(Nissen Shounin, verso nº 121)

 

Fonte: Adaptado da revista lótus nº 47,  pág 16-17.